Foz do Iguaçu

Em 2006, eu já não tinha mais 18 anos.

Eu estava me preparando para constituir uma família com Lillian, a norueguesa loira de Bergen que era minha namorada.

Naquela época, o pastor Tim, Larry e Celso foram ao Rio de Janeiro para ordenar o pastor Alexandre.

Eu estava lá.

E naquela noite alguma coisa mexeu comigo.

Fui lembrado de várias palavras e promessas que haviam sido faladas ao longo dos anos sobre meu futuro ministerial.

Eu me lembro daquela noite até hoje.

Depois da ordenação, cheguei para o Tim e perguntei:

Tim, você é evangelista, plantador de igreja. O que você está fazendo em Campo Mourão naquele campus?

Ele me respondeu que havia um grupo em Foz do Iguaçu orando por um pastor.

Ele tinha acabado de voltar de lá e acreditava que Deus estava chamando sua família para aquela cidade.

Eles iriam se mudar para Foz para plantar uma Calvary Chapel.

Aquilo veio como fogo no meu coração.

Eu não falei nada.

Mas alguma coisa dentro de mim dizia:

Essa cidade.

A primeira cidade para a qual eu havia viajado em uma viagem missionária.

Talvez fosse a cidade onde eu plantaria minha primeira igreja.

Conversei com Lillian.

Oramos.

Conversamos mais.

Oramos mais um pouco.

E demos um passo de fé gigante.

No final de 2006, mudamos para Foz do Iguaçu.

Lillian veio logo depois.

Plantando uma igreja

Nós fizemos parte do grupo base da plantação.

Eu fazia um pouco de tudo.

Era assistente.

Tradutor.

Líder de louvor.

Resolvia problemas.

Carregava coisas.

Ajudava onde precisava.

Lillian estava envolvida com as crianças e também fazia um pouco de tudo.

Grupo reunido nos primeiros tempos da plantação
Éramos jovens e não tínhamos todas as respostas, mas sabíamos que Deus tinha nos chamado para estar ali.

Éramos jovens.

Não tínhamos todas as respostas.

Na verdade, muitas vezes não sabíamos nem direito o que estávamos fazendo.

Mas sabíamos que Deus tinha nos chamado para estar ali.

E isso era suficiente para continuar.

Naquela época, novas igrejas estavam nascendo.

Foz.

Campo Mourão.

Curitiba.

E outros lugares.

Havia uma alegria muito grande em ver Deus fazendo aquilo.

Era um tempo de muito entusiasmo.

Deus estava levantando pessoas.

Deus estava formando líderes.

Deus estava abrindo portas.

E, mais uma vez, vimos a boa mão de Deus sobre nós.

Depois dos anos de ouro

Eu me sinto extremamente privilegiado por ter feito parte daqueles primeiros anos.

Foram realmente anos de ouro para mim.

Mas existe uma coisa que aprendi olhando para a história.

Depois que a primeira geração de missionários americanos começou a deixar o Brasil, o movimento entrou em uma fase diferente.

E eu não acho que isso seja necessariamente algo ruim.

Na verdade, acredito que era necessário.

Chegaria o momento em que os brasileiros precisariam encontrar sua própria voz.

Nosso próprio jeito.

Nossa linguagem.

Nossa personalidade.

Nosso estilo de liderança.

Nossa maneira de plantar igrejas.

Precisávamos deixar de ser simplesmente brasileiros tentando reproduzir algo que havia acontecido na Califórnia.

Precisávamos receber a herança.

Honrá-la.

Aprender com ela.

Mas também precisávamos crescer.

Isso, para mim, é uma das partes mais importantes da história.

Uma herança só cumpre seu propósito quando é recebida e depois desenvolvida pela próxima geração.

Não é nostalgia

Talvez aqui esteja uma das coisas mais importantes que quero dizer.

Quando falo dos "anos de ouro", não estou dizendo que precisamos voltar para os anos 2000.

Eu não quero voltar.

Não quero tentar reproduzir aquele período.

Não quero construir uma versão brasileira da Califórnia dos anos 70.

E não quero que a próxima geração viva apenas das histórias que nós contamos.

Não estamos buscando nostalgia.

Estamos buscando o Senhor.

Estamos buscando o Espírito Santo.

Estamos buscando aquilo que Deus quer fazer agora.

Chuck Smith sempre teve uma preocupação muito grande com isso. Não tentar simplesmente copiar uma fórmula, mas descobrir o que Deus quer fazer e então estar disposto a participar.

Isso é algo que continua me desafiando.

Porque existe uma tentação muito grande quando olhamos para trás.

A gente pensa:

Como seria bom se fosse como naquela época.

Mas talvez a pergunta certa seja outra:

Senhor, o que o Senhor quer fazer agora?

Essa pergunta muda tudo.

Ela nos permite honrar o passado sem ficar presos a ele.

Podemos agradecer pelo que Deus fez sem transformar aquilo em uma fórmula.

Podemos contar as histórias sem achar que precisamos repetir cada detalhe delas.

Podemos aprender com aqueles que vieram antes de nós e, ao mesmo tempo, reconhecer que Deus ainda está escrevendo novos capítulos.

A história continua

Quando olho para trás, eu não vejo uma história de grandes homens.

Eu vejo um Deus fiel.

Vejo adolescentes que disseram sim.

Vejo missionários que atravessaram oceanos.

Vejo famílias deixando suas casas.

Vejo brasileiros sendo discipulados.

Vejo pastores sendo formados.

Vejo igrejas sendo plantadas.

Vejo pessoas comuns colocando suas vidas à disposição.

E vejo a boa mão de Deus.

Eu tinha 17 anos quando essa história começou a tocar minha vida.

Eu não fazia ideia de onde aquilo iria me levar.

Não sabia que um dia plantaria uma igreja.

Não sabia que me casaria com uma norueguesa de Bergen.

Não sabia que viveria em diferentes cidades.

Não sabia que serviria em diferentes lugares.

Não sabia que teria o privilégio de participar de outras plantações.

Eu simplesmente estava tentando seguir Jesus.

E, no caminho, descobri que Deus estava fazendo muito mais do que eu conseguia enxergar.

Hoje, olhando para a Calvary Chapel no Brasil, eu não quero apenas celebrar o que Deus fez.

Quero perguntar o que Ele quer fazer daqui para frente.

A primeira geração fez sua parte.

A segunda geração fez sua parte.

Agora é a nossa vez.

E depois será a vez de outros.

A história continua.

Talvez nossas igrejas sejam diferentes.

Talvez nossos métodos sejam diferentes.

Talvez nossa linguagem seja diferente.

Talvez Deus nos leve para lugares que ainda nem imaginamos.

Mas algumas coisas não precisam mudar.

Jesus continua sendo o centro.

A Palavra continua sendo nossa autoridade.

O Espírito Santo continua dirigindo a Igreja.

A Grande Comissão continua sendo nossa missão.

E continuamos precisando de homens e mulheres dispostos a dizer:

Eis-me aqui.

Quando penso naqueles primeiros dias, nas equipes chegando, no Hotel Miami, nas praças, nos colégios, nas conversões, nos primeiros pastores, na School of Ministry, no Rio, em Foz do Iguaçu e em tantas outras histórias, eu só consigo agradecer.

Eu estava lá.

Eu vi.

E posso testemunhar:

Deus fez coisas incríveis.

Mas talvez essa não seja a parte mais bonita.

A parte mais bonita é saber que Ele ainda não terminou.

A história não é sobre os nossos anos de ouro.

A história continua sendo sobre Jesus.

E a nossa oração precisa continuar sendo:

Senhor, mostra-nos o que Tu queres fazer no Brasil. E, pela tua graça, permite-nos participar.